Sapo Agarras

Conquista na Pedra da Boca

Gustavo Piancastelli




A Pedra da Boca é um imenso monolito entre os municípios de Teófilo Othoni e Carlos Chagas na rodovia conhecida como Estrada do Boi, região de grandes rebanhos bovinos e exploração agropecuária no estado de Minas Gerais.

Alguns afirmam que esse grande monolito tem o formato de uma baleia, sendo que a fenda frontal em formato de uma boca deu origem ao nome da pedra.



A boca na verdade, é o que restou de um grande desmoronamento, formando uma fenda horizontal em forma de arco com cerca de 200m de extensão e um negativo de 20m de altura a 100m da base da pedra.


A Pedra da Boca está perto do distrito de Pedro Versiane, na BR418 e é facilmente avistada da estrada por quem segue para Carlos Chagas.

 

O sol é por quase todo o ano o maior impecílio para escaladas na região, sendo assim, decidimos abrir uma nova rota em direção à boca, com o intuito de escalar parte da fenda que na maior parte do dia fica totalmente à sombra.

 

Em Teófilo Othoni nos encontramos com Alexandre “Galeto”, que por indicação da ABETA (Associação Brasileira de Ecoturismo e Turismo de Aventura), contatamos para que integrasse nossa equipe. Alexandre, muito dedicado e divertido em pouco tempo já sabia todos os passos e foi peça crucial para a realização dessa conquista além d grande contribuição para as filmagens.


Depois de nos abastecermos de água e comida partimos para o reconhecimento da futura via de escalada.

 

Chegando na fazenda, pedimos autorização ao capataz, um senho muito arredio e cabreiro como um bom mineiro. Sr. João, nos informou que não estava autorizado a deixar ninguém entrar na propriedade, nos informou também que deveríamos ir até uma fazenda pouco a frente e procurar o Sr. Rogério (Dono da Fazenda) e que somente ele poderia nos autorizar a entrar pela fazenda.



Algumas centenas de metros a frente no asfalto e chegamos na entrada da  propriedade, lá encontramos com o Cleiton, genro do dono e que nos passou um telefone de contato do tal Rogério. Fomos num armazem ali bem perto e ligamos pra ele. Leandro assumiu o discurso e antes de terminar de falar, já tinha a liberação e aquela frase soou como um convite: _Fiquem a vontade !!!

 

Imediatamente seguimos para a fazenda, Sr. João jurava que era tudo conversa fiada nossa, que sequer tínhamos conseguido falar com Sr. Rogério, foi até engraçado ver aquele mineiro cabreiro nos olhando de banda.

Ressabiado ele nos deixou entrar e foi muito prestativo nos fornecendo água sempre gelada que congelava aos montes em seu freezer.

No 1º dia chegamos na base por volta das 15:40h, com o calor beirando os 40º C. Desgastados com o sol forte, tentávamos nos proteger com lonas enquanto Leandro deu início à conquista, subiu por uns 20m em aderência e desceu, assumi a conquista dalí pra cima naquele dia.

 

Entre ascensões em artificial e em livre, boas imagens foram feitas e 50m foram conquistados naquele fim de tarde.

 

Voltamos à Pousada do SESC a melhor opção de hospedagem em Teófilo Othoni.

 

No 2º dia o objetivo era ir para bivacar na fazenda e escalar nos próximos 02 (dois) dias, nosso prazo limite para aquela empreitada.

Assim o fizemos, durante a manhã ficamos em Teófilo Othoni, a cidade, conhecida pelo forte comércio de pedras preciosas, oferece excelente preços para jóias e lindas peças em esmeralda, água marinha, e outras gemas, compramos um presentinho para não dormirmos na sala quando retornássemos à BH e almoçamos.

 

À tarde por volta das 16:00h estávamos novamente na parede, que à aquela altura estava quente como uma frigideira. Leandro novamente foi o 1º a escalar, conquistou mais uns 25m e quando estava para escurecer resolveu descer. Peguei a ponta da corda e dei continuidade ao trabalho. Já estava escuro e sem lua, usando uma lanterna de cabeça, conquistei cerca de 15m em artificial, até alí já se somavam-se quase 90m de conquista.  Por volta das 21:30h descemos da parede.

Último dia, só tínhamos até à tarde pois teríamos que pegar estrada naquele mesmo dia. Depois de uma noite bem dormida na rede montada entre o porta malas do carro e uma cerca da fazenda, tomamos e um café da manhã reforçado com frutas do quintal do Sr. João e seguimos pra parede.



Às 8:00h já estávamos na base.  Eu subi 1º jumareando e me posicionei para filmar, Leandro repetiu os 1ºs  50m de escalada em seguida, Alexandre também subiu até a 1ª parada e se posicionou para assegurar a escalada do Leandro, subi mais 40m para onde havia terminado a conquista e filmei Leandro passando o trecho onde usamos algumas peças móveis.

 

Dalí pra cima a parede continuava virgem e era minha vez de dar sequência.

 

Com a ponta da corda cheguei até a fenda horizontal sem instalar novas proteções fixas e comecei a conquistar a fenda, Leandro nessa hora assumiu a filmadora e Alexandre minha segurança. Colocando peças móveis e “pisando em ovos” ou melhor em imensas lacas soltas segui pela fenda até quase acabar a corda. Leandro assumiu minha segurança, sem proteções fixas dalí pra cima, ele subiu assegurado por mim somente em móveis e estabeleceu uma parada fixa e dupla uns 5m abaixo da fenda, e desceu-me até alí. Trocamos a ponta da corda e eu assumi a segurança. A missão agora seria desmontar todo o sistema de segurança móvel montado por mim durante a escalada da fenda. Com muitas lacas soltas Leandro se viu numa grande “roubada”, mas mandou muito bem, algumas peças móveis eram complicadas de tirar, trechos bem expostos e as lacas nos pés dele e bem acima de nós  comprometiam a segurança e nos assustavam a cada grito: PEDRAAAA!!!

 

 

 

Finalmente depois de alguns sustos, muito equilíbrio e nenhuma queda, Leandro desescalou até a 2ª parada e descemos. Por volta das 14:00h já estávamos na base, retornamos à fazenda e depois de um bom banho no laguinho e de beber muita água gelada, pegamos a estrada para Mucurici.

No posto “Kaladão” conseguimos uma carona para o Alexandre voltar a Teófilo Othoni e seguimos viagem.

A via batizada de “Fissurados nos Lábios Teus” foi graduada em 6º VIIa 120m mista.

 

 

Agradecimentos especiais ao amigo e companheiro de escalada Alexandre “Galeto”, ao excelentíssimo presidente da Federação de Montanhismo e Escalada  de Minas Gerais, amigo e parceiro de escaladas Leandro Reis, ao profissionalismo da ESCALE! por toda a logística dessa escalada.

 À EQUINOX por todo apoio que vem dando ao montanhismo em todos esses anos, à Casca Grossa por ceder para todas as minhas roubadas os equipamentos de filmagem de última geração, à AM420NIA www.am420nia.com.br pelas camisetas mais maneiras que uso pra escalar, à pousada do SESC pela hospedagem, ao Bruno do Circuito das Pedras Preciosas que com muito custo e dedicação fez tudo que estava ao seu alcance para promover essa conquista e é claro aos parceiros da ABETA Clarice e Brazil.

 

Por fim agradecimento a Deus por ter criado aquele monumento natural e por ter nos dado a saúde e oportunidade de escalá-lo.

 

Texto e fotos : Gustavo Piancastelli









Gustavo Piancastelli

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Publicado em: 2010-01-31 (3022 Leituras)

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