Nem Assadz, nem cuzidz, Fritz - Novas Conquistas na Pedra do Fritz em Nanuque - MG Por: César Albertoni
 Pedra do Fritz – Nanuque – M.G.
Saímos de Juiz de Fora as 0:00 horas daquela segunda feira 20 de agosto, eu (César Albertoni) e um grande parceiro, Ricardo Delmonte, as 5:30 horas da manhã estávamos em BH, nos encontramos com o Gustavo e estava formado o trio. Três leoninos numa conquista, de botar pra quebrar!!! E todo mundo queria mandar!...rsrsrs
A convite do "Aranha", organizador do evento e da Prefeitura de Nanuque, o Paredes de Minas faria as palestras na semana ECO FRITZ. Seguimos para Nanuque, com o intuito de participar do evento e difundir a escalada na região. Através de palestras, mostras de vídeos, e é claro, uma conquista na Pedra do Fritz. O Eco Fritz, evento idealizado pelo Antônio Carlos “Aranha” e realizado por ele em parceria com a Prefeitura Municipal, Secretaria de Meio Ambiente e empresas privadas da região é realizado anualmente e adotou a Pedra do Fritz, mobilizando toda comunidade em prol dessa causa, que é de todos: defender e preservar a exuberante natureza daquele pedaço do Vale do Mucuri.
 Ao chegarmos a Nanuque, onde quase não chegamos, pois no caminho existem tantos monolitos, que parávamos toda hora para apreciar. Com em média 400 metros de altura, sonhávamos escalar aquelas paredes. Pra quem curte escalada, uma paisagem deslumbrante! Uma das mais famosas na região é a “Pedra da Boca“, um marco da viagem para quem passa por Teófilo Othoni. Além de vários outros monolitos como “Caladão” e “Campanário”. Enfim, depois de muito deslumbre chegamos a Nanuque. Fomos recebidos muito bem, pelo Aranha e o pessoal da Secretaria do Meio Ambiente que já estavam nos aguardando ansiosos. Nos alojamos na fazenda da Dona Matilde, um luxo só, nós o apelidamos de “humilde abrigo de montanha” inacreditável!!! Tudo estava certo, hospedagem, alimentação e transporte. Começamos a palestrar nas universidade locais UNEC e FANAN, falamos desde a história do montanhismo no mundo, no Brasil, éticas, ecologia. Ilustrávamos cada assunto com vídeos, foi um sucesso! Assim seguimos o fluxo das palestras em mais duas escolas públicas e uma particular. Todos sem exceção ficaram surpreendidos pelo potencial que a comunidade tem dentro da cidade e sem utilização, pior, sem deslumbre nenhum. E alguns se referem as pedras como um área desperdiçada: -“...que pedra feia vamos explodir essa m...!!!”
 A cidade está repleta de blocos, falésias um monolito no meio as margens do Rio Mucuri, a “Pedra do Bueno”. Nela conquistamos duas vias esportivas: Matel e os Três Leões (7 a) e Aracnomania II (8 a), âmbas em homenagem aos que nos apoiaram. Aranha é claro e Sr. Zé da Matel que fabricou umas chapeletas de cantoneira para a conquista, já que as que tínhamos levado, tinham destino certo, o FRITZ.
Uma das atrações do ECO FRITZ, para chamar atenção da população, foi à caminhada até o cume da Pedra do Bueno, com a participação de diversos alunos que assistiram às nossas palestras e enquanto escalávamos, eles puderam entender melhor como funcionam as técnicas de segurança. Fizemos uma demonstração, cerca de duzentas pessoas assistindo. Foi extraordinário, saber que plantamos a semente do “climb” na cabeça de muitos que começaram a ver com outros olhos, o potencial que possuem, a ponto de se tornarem montanhistas de grandes paredes, arrisco a dizer um novo Três Picos só que no sertão. Não assuntem quase tudo é face Sul e Sudoeste, sombra o dia todo, "Come on"!!!
Partimos para a Pedra do FRITZ, a cerca de vinte quilômetros de Nanuque, chegamos à fazenda de Sr. Amintas Neiva, a propriedade mais perto da base que objetivávamos, nos receberam também com muito gosto e admiração pelo que fazemos. Com uma bela feijoada e pimenta mastigada no dente nos receberam após voltarmos do reconhecimento da base, em nosso 1º dia no Fritz.
 A formação rochosa local é granito muito sólido e aderente, mas como tratava-se de conquista, e ninguém ainda passara por lá, haviam muitas lacas quebradiças e pedras entaladas nas fendas, analisarmos que as possíveis fendas para o cume eram largas demais, ou seja, muitas peças grandes como camalot 5, bigbrow peças maiores, as quais não tínhamos, estávamos providos de muitos equipamentos móveis, uma grande infinidade de entaladores médios e micros. Vimos que se entrássemos em uma linha sem que tivéssemos equipamento suficiente, teríamos que grampear ou até mesmo abandonar a conquista para outra oportunidade, justamente o que não queríamos. Assim descobrimos uma linha bem interessante e a partir daí começamos a chamá-la de “Cadeira”, pelo seu formato, uma linha fendada desde o chão sendo que no final observamos um ponto cuminante à parte, a formação de uma agulha. Escolhemos-a, e sabíamos que seria uma escalada consideravelmente rápida e funcional aos equipamentos que tínhamos. A nossa idéia foi atacar o máximo possível em estilo “livre” já que tínhamos a garantia da solides da rocha, quase tudo entalado ficava a “prova de bomba”.
No primeiro dia de “climb” nosso companheiro, Ricardo Delmonte optou em esticar a primeira enfiada, o início muito técnico e sujo, e ao colocar um freind no inicio da fenda bem sujo, a peça se soltou e Ricardo caiu de uns quatro metros de costas no chão, um vôo incrível!!! Foi como nos filmes de Bang Bang, quando o cara toma um tiro no peito e é arremessado. Ao confirmarmos que estava tudo bem com ele. Eu e Gustavo rachamos de rir foi muito engraçado rsrsrsrsrs. Tentou mais uma vez e passou a bola para o Gustavo, muito experiente nessas conquistas, esticou no meio dos cipós cinqüenta metros cheios bateu a parada dupla e toquei pra cima dando mais um retoque na limpeza da via, movimentos de entalar os punhos, um atrás do outro. Era minha vez de tocar pra cima, peguei a ponta da corda os equipos e toquei. A fenda continuava limpa por causa da negatividade da parede. Mesmo limpa foi árduo, estiquei uns vinte metros e chegue em umas concreções, blocos soltos, colocações péssimas bati um grampo para proteger e passei para Gustavo mais uma vez. O cabra esticou mesmo no peito e na raça. Passou nas concreções tudo em livre e chegou no “assento da cadeira” com mais cinqüenta metros cheios. Perfeito no primeiro dia 100m (cem metros) conquistados.
 Deixamos as cordas fixas para o próximo dia de invertida. Atacamos nas cordas e chegamos na 2ª parada, fiz a horizontal no platô para acessar a base da agulha, ou melhor “as costas da cadeira” uns vinte cinco metros com muitos cactos e blocos soltos. Atacamos na agulha, uma formação alucinante totalmente desmembrada da parede. Caímos no que ia acabar acontecendo, tínhamos poucos equipamentos grandes para entalar na fenda. Precisaríamos de pelo menos 3 camatot #5 e #6. Fomos tocando entalando o que dava em artificial de clif, entalamos até capacete, rsrsrsrsrsrs... Em dois dias de investida chegamos ao cume da agulha realmente surreal uma linha que merecia essa conquista. Deixamos um livro de cume para os que lá passarem.
Essa conquista teve mérito de Ricardo Delmonte, eu (Cesar Albertoni) e Gustavo Piancastelli, que com muita técnica de fendas e chaminés fez com que atingimos o cume muito rápido, e os 170 metros da via foram vencidos em três dias, entre reconhecimento e escalada propriamente dita. A via foi batizada de "Os Leões da Montanha" VIIb /8a A2 D2
Agradeço os apoios que recebemos em Nanuque: dos lojistas, do ARANHA e da Prefeitura de Nanuque, Secretaria de Meio Ambiente e empresas e pessoas que apoiaram o evento.
...e que a comunidade brasileira de escaladores tenham o privilégio de conhecerem Nanuque e deixarem por lá um tesouro ou melhor uma via, serão todos muito bem recebidos pelo povo daquele município que perceberam a importância de um escalador para formação de novos cidadãos, pelos ideais que carregamos, novos adeptos e preservação do meio ambiente das montanhas. Conheçam Nanuque!!!!!!!
Artigo cedido por Gustavo Piancastelli do Blog Paredes de Minas
César Albertoni Copyright © por escaladabrasil.com Todos os direitos reservados. Publicado em: 2007-09-06 (10134 Leituras) [ Voltar ] |